para os que não veem sinal de vida... essa sua vida parece um luxo! parece... talvez nunca seja um luxo para quem está dentro e diz: minha vida... anh? "minha vida" é uma coisa com tantas tripas e angústias que muito facilmente me encontram no escuro. e o escuro em que vivo, meu amor, cercado das banalidades que digo, heróico talvez: "são minhas".
e as pedras do caminho quiséramos metáforas leves e distantes enquanto pedras de fato despropositadas nas solas dos pés
tão difícil viver com o pronto! tão corriqueiro viver esta vida e é tudo!
fui também o possível e me precisando singular o “também” me magoava também
meus heroísmos necessária e cotidianamente cridos de olhos bem fechados ...................os que lacrimejavam ...................tão arregalados ...................diziam ...................“covarde!”
quisera que não me acreditassem este fracasso mas era tarde pois eu existia estritamente real e apenas contra infinitas hipóteses leves outras
"também vivi" falo como a descrentes também vivi e só
e as pedras... e quantas vezes li "fracasso" como um sábio da própria finitude...
Se taire tu m'en as tant dit, plus rien ne m'étonne Se faire des serments muets, des promesses aphones Les mots de trop il faut se taire nos langues se fatiguent, ménageons les pour se faire langue contre langue un dialogue de sourd parfois, crois moi, on doit se taire
garde ta salive que je puisse enfin la faire couler dans ma gorge comme un doux venin
Les mots de trop il faut se taire nos lèvres sont sèches et nos bouches ont mieux à faire que se prendre au mot, que se prendre au jeu
parfois, crois moi, on doit se taire enfin
se taire à la fin
(É preciso) Calar-se
Calar-se... Muito já foi dito, nada mais me espanta Fazer-se juramentos mudos, promessas roucas Palavras demais É preciso calar-se Nossas línguas se cansam, deixemos que descansem Que se faça língua contra língua, um diálogo de surdos
Acredite em mim, às vezes Precisamos nos calar
Guarde sua saliva para que eu possa por fim Fazê-la correr pela minha garganta como um doce veneno
Palavras Em excesso Precisamos nos calar
Nossos lábios estão secos e as nossas bocas têm mais a fazer Do que se prenderem a palavras, que se prendem ao jogo
Acredite em mim, às vezes Precisamos nos calar Enfim
Calar-se No fim *
(É preciso) calar-se. Em francês, “(Il fault) se taire”, é o titulo de uma canção entre as 11 do filme “Canções de amor”, (2007) de Christophe Honoré. Veja: http://www.youtube.com/watch?v=4OkJyxj7ty0&feature=player_embedded
1(...) perdoai, amigos, meu linguajar de símbolos tão velados
2. :bailarinos inábeis executando seus primeiros passos num palco gigantesco (sem bordas) sem aplausos — sós nós e uma valsa sem memória a ecoar (a ecoar a ecoar) por toda parte
e não há tempo para temer e não há tempo para chorar: a Valsa não tem perdões, obriga-nos a valseá-la a Valsa não sabe nomes, envolve-nos nos braços a Valsa ela mesma não se chama Valsa — perdoai, amigos, falar-vos nesta linguagem há algo em mim que quer brotar com força: talvez um simples poema talvez (perdoai) apenas esta vontade, imensa, de falar.
A poesia dói dentro de mim como quando meu pai podava a parreira eu ia vendo caírem as folhas eu ia vendo caírem as folhas e ninguém sabia como os ramos derramavam os sons dolorosos
para os que não veem sinal de vida... essa sua vida parece um luxo! parece... talvez nunca seja um luxo para quem está dentro e diz: minha vida... anh? "minha vida" é uma coisa com tantas tripas e angústias que muito facilmente me encontram no escuro. e o escuro em que vivo, meu amor, cercado das banalidades que digo, heróico talvez: "são minhas".
ResponderExcluirtambém vivi
ResponderExcluire as pedras do caminho
quiséramos metáforas leves e distantes
enquanto pedras de fato
despropositadas nas solas dos pés
tão difícil viver com o pronto!
tão corriqueiro viver esta vida
e é tudo!
fui também o possível
e me precisando singular
o “também” me magoava
também
meus heroísmos
necessária e cotidianamente cridos
de olhos bem fechados
...................os que lacrimejavam
...................tão arregalados
...................diziam
...................“covarde!”
quisera que não me acreditassem este fracasso
mas era tarde
pois eu existia estritamente real
e apenas
contra infinitas hipóteses leves outras
"também vivi"
falo como a descrentes
também vivi
e só
e as pedras...
e quantas vezes li "fracasso"
como um sábio da própria finitude...
vivi
também e apenas
há ainda milhares de mulheres que não de repente querem dizer. e não podem.
ResponderExcluirestranha falta de liberdade essa, dos humanos.
"nada me demove
ainda vou ser o pai
dos irmãos karamazóv", p. leminski.
ele era um bufão, fazia só o que queria. e era ela mesmo. o fédor.
um beijo, nana.
e há uma mulher que precisar gritar. ainda que mansamente.
ResponderExcluirprestenção: o mundo te escuta, mariana botelho.
o mundo, que ainda não sabe da missa um terço.
a sua poesia é um manifesto.
admiração do
roberto.
entendo.
ResponderExcluirquerer/poder/ter que
palavras com espinhos
Mariana,
ResponderExcluirOnde é que eu encontro seu livro para comprar em BH?
Paulo,
ResponderExcluiro livro, por hora, só pode ser comprado pelo site da Ateliê Editorial. Eles não colocaram à venda em livrarias.
(Il fault) se taire
ResponderExcluir(Alex Beaupin)
Se taire
tu m'en as tant dit, plus rien ne m'étonne
Se faire des serments muets, des promesses aphones
Les mots de trop
il faut se taire
nos langues se fatiguent, ménageons les pour
se faire langue contre langue un dialogue de sourd
parfois, crois moi,
on doit se taire
garde ta salive que je puisse enfin
la faire couler dans ma gorge comme un doux venin
Les mots
de trop
il faut se taire
nos lèvres sont sèches et nos bouches ont mieux
à faire que se prendre au mot, que se prendre au jeu
parfois, crois moi,
on doit se taire
enfin
se taire
à la fin
(É preciso) Calar-se
Calar-se...
Muito já foi dito, nada mais me espanta
Fazer-se juramentos mudos, promessas roucas
Palavras demais
É preciso calar-se
Nossas línguas se cansam, deixemos que descansem
Que se faça língua contra língua, um diálogo de surdos
Acredite em mim, às vezes
Precisamos nos calar
Guarde sua saliva para que eu possa por fim
Fazê-la correr pela minha garganta como um doce veneno
Palavras
Em excesso
Precisamos nos calar
Nossos lábios estão secos e as nossas bocas têm mais a fazer
Do que se prenderem a palavras, que se prendem ao jogo
Acredite em mim, às vezes
Precisamos nos calar
Enfim
Calar-se
No fim
*
(É preciso) calar-se. Em francês, “(Il fault) se taire”, é o titulo de uma canção entre as 11 do filme “Canções de amor”, (2007) de Christophe Honoré. Veja: http://www.youtube.com/watch?v=4OkJyxj7ty0&feature=player_embedded
um beijo.