sábado, 25 de junho de 2011

e há uma mulher que de repente quer calar-se. e não pode.
estranha liberdade essa, dos humanos.

8 comentários:

  1. para os que não veem sinal de vida... essa sua vida parece um luxo! parece... talvez nunca seja um luxo para quem está dentro e diz: minha vida... anh? "minha vida" é uma coisa com tantas tripas e angústias que muito facilmente me encontram no escuro. e o escuro em que vivo, meu amor, cercado das banalidades que digo, heróico talvez: "são minhas".

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  2. também vivi


    e as pedras do caminho
    quiséramos metáforas leves e distantes
    enquanto pedras de fato
    despropositadas nas solas dos pés


    tão difícil viver com o pronto!
    tão corriqueiro viver esta vida
    e é tudo!


    fui também o possível
    e me precisando singular
    o “também” me magoava
    também


    meus heroísmos
    necessária e cotidianamente cridos
    de olhos bem fechados
    ...................os que lacrimejavam
    ...................tão arregalados
    ...................diziam
    ...................“covarde!”


    quisera que não me acreditassem este fracasso
    mas era tarde
    pois eu existia estritamente real
    e apenas
    contra infinitas hipóteses leves outras


    "também vivi"
    falo como a descrentes
    também vivi
    e só

    e as pedras...
    e quantas vezes li "fracasso"
    como um sábio da própria finitude...

    vivi
    também e apenas

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  3. há ainda milhares de mulheres que não de repente querem dizer. e não podem.
    estranha falta de liberdade essa, dos humanos.

    "nada me demove
    ainda vou ser o pai
    dos irmãos karamazóv", p. leminski.

    ele era um bufão, fazia só o que queria. e era ela mesmo. o fédor.

    um beijo, nana.

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  4. e há uma mulher que precisar gritar. ainda que mansamente.

    prestenção: o mundo te escuta, mariana botelho.
    o mundo, que ainda não sabe da missa um terço.

    a sua poesia é um manifesto.

    admiração do

    roberto.

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  5. entendo.
    querer/poder/ter que
    palavras com espinhos

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  6. Mariana,
    Onde é que eu encontro seu livro para comprar em BH?

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  7. Paulo,

    o livro, por hora, só pode ser comprado pelo site da Ateliê Editorial. Eles não colocaram à venda em livrarias.

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  8. (Il fault) se taire

    (Alex Beaupin)

    Se taire
    tu m'en as tant dit, plus rien ne m'étonne
    Se faire des serments muets, des promesses aphones
    Les mots de trop
    il faut se taire
    nos langues se fatiguent, ménageons les pour
    se faire langue contre langue un dialogue de sourd
    parfois, crois moi,
    on doit se taire

    garde ta salive que je puisse enfin
    la faire couler dans ma gorge comme un doux venin

    Les mots
    de trop
    il faut se taire
    nos lèvres sont sèches et nos bouches ont mieux
    à faire que se prendre au mot, que se prendre au jeu

    parfois, crois moi,
    on doit se taire
    enfin

    se taire
    à la fin


    (É preciso) Calar-se

    Calar-se...
    Muito já foi dito, nada mais me espanta
    Fazer-se juramentos mudos, promessas roucas
    Palavras demais
    É preciso calar-se
    Nossas línguas se cansam, deixemos que descansem
    Que se faça língua contra língua, um diálogo de surdos

    Acredite em mim, às vezes
    Precisamos nos calar

    Guarde sua saliva para que eu possa por fim
    Fazê-la correr pela minha garganta como um doce veneno

    Palavras
    Em excesso
    Precisamos nos calar

    Nossos lábios estão secos e as nossas bocas têm mais a fazer
    Do que se prenderem a palavras, que se prendem ao jogo

    Acredite em mim, às vezes
    Precisamos nos calar
    Enfim

    Calar-se
    No fim
    *

    (É preciso) calar-se. Em francês, “(Il fault) se taire”, é o titulo de uma canção entre as 11 do filme “Canções de amor”, (2007) de Christophe Honoré. Veja: http://www.youtube.com/watch?v=4OkJyxj7ty0&feature=player_embedded

    um beijo.

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