domingo, 9 de janeiro de 2011

Sei que o homem lavava os cabelos como se fossem longos
Porque tinha uma mulher no pensamento
Sei que os lavava como se os cortasse

Sei que os enxugava com a luz da mulher
Com os seus olhos muito claros voltados para o centro
Do amor, na operação poderosa
Do amor

Sei que cortava os cabelos para procurá-la
Sei que a mulher ia perdendo os vestidos cortados

Era um homem imaginando no coração da mulher que lavava
O cabelo no seu sangue

Na água corrente

Era um homem inclinado como um pescador nas margens para ouvir
E a mulher cantava para o homem respirar

(Daniel Faria)

4 comentários:

  1. A sereia em si convidando para um deleite que asfixia. Um salto voluntário para o fim. Mas quando se tem essa empatia, o encantamento facilita o entendimento.

    Abraço!

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  2. este poema é lindo. o Daniel Faria escrevia absurdos...

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  3. e ele cortava seus cabelos como que se mutilando.
    e ela cantava.
    e daniel faria já sabia tudo da alma humana.
    e o cara era padre.

    doido, né?
    tremendo bokm gosto.
    bela escolha, mariana.

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  4. um mimo pra nós. te elleniza ;)
    beijão.

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