sou amiga delas. ou da alma delas. ou do que elas representam de força, de mulher. não que eu queira ser incendiada, mas como diria o gullar: "no mundo há muitas armadilhas".
Olá, Tive contato com o teu blog no da Adriana Karnal-Poemas. Agora vim conhecê-lo e seguí-lo. Desde já és convidada a visitar o meu. Saúde e felicidade. João Pedro Metz
eu sei que é consolo de muita gente crer que sofrer melhora a gente mas o sofrimento não melhora a gente em nada e eu sei que é consolo de muita gente crer que a dor quanto mais forte por isso mesmo melhor e mais nobre no seu efeito de fazer da gente gente mais forte, melhor e mais nobre mas o sofrimento não melhora a gente em nada e eu sei que é consolo de muita gente crer que termina mais resistente aquele que sobrevive ao pesadelo do sofrimento agudo intenso e duro mas do meu lote todo até agora eu só tirei esse poder pífio de reconhecer nos olhos dos outros – na caixa do banco, no peixeiro, na professora do meu filho, no meu irmão – a mesma marca líquida que eu sei estar aqui dentro dos meus olhos, a marca líquida da corda dos nervos que estica e estica até que arrebenta e aí só nos resta a todos nós pobres coitados esse mesmo corpo típico, frouxo, e esses mesmos olhos típicos, moles, e essa mesma corda elétrica solta no ar, balançando a mesma nota aguda e surda para sempre.
Paulo, que bom te ver por aqui. Esse seu poema me lembra um do Gullar:
A alegria
O sofrimento não tem nenhum valor. Não acende um halo em volta de tua cabeça, não ilumina trecho algum de tua carne escura (nem mesmo o que iluminaria a lembrança ou a ilusão de uma alegria).
Sofre tu, sofre um cachorro ferido, um inseto que o inseticida envenena. Será maior a tua dor que a daquele gato que viste a espinha quebrada a pau arrastando-se a berrar pela sarjeta sem ao menos poder morrer?
A justiça é moral, a injustiça não. A dor te iguala a ratos e baratas que também de dentro dos esgotos espiam o sol e no seu corpo nojento de entre fezes querem estar contentes.
1(...) perdoai, amigos, meu linguajar de símbolos tão velados
2. :bailarinos inábeis executando seus primeiros passos num palco gigantesco (sem bordas) sem aplausos — sós nós e uma valsa sem memória a ecoar (a ecoar a ecoar) por toda parte
e não há tempo para temer e não há tempo para chorar: a Valsa não tem perdões, obriga-nos a valseá-la a Valsa não sabe nomes, envolve-nos nos braços a Valsa ela mesma não se chama Valsa — perdoai, amigos, falar-vos nesta linguagem há algo em mim que quer brotar com força: talvez um simples poema talvez (perdoai) apenas esta vontade, imensa, de falar.
A poesia dói dentro de mim como quando meu pai podava a parreira eu ia vendo caírem as folhas eu ia vendo caírem as folhas e ninguém sabia como os ramos derramavam os sons dolorosos
você é as duas? quer ser incendiada, mariana?
ResponderExcluirum beijo.
romério
sou amiga delas. ou da alma delas. ou do que elas representam de força, de mulher. não que eu queira ser incendiada, mas como diria o gullar: "no mundo há muitas armadilhas".
ResponderExcluirum beijo
mariana
dá vontade continuar de soluçando.
ResponderExcluirSimplesmente fantástico isso!!!!
ResponderExcluirSão tantas as armadilhas que nossa capacidade de perceber as vezes se confunde.
Bjo, Nana.
Olá,
ResponderExcluirTive contato com o teu blog no da Adriana Karnal-Poemas.
Agora vim conhecê-lo e seguí-lo.
Desde já és convidada a visitar o meu.
Saúde e felicidade.
João Pedro Metz
Leila Diniz, Luz Del Fuego.
ResponderExcluiraudrey hepburn, rita pavone.
ResponderExcluirhahaha, meu par de "musas" contrastante.
Virginia Woolf, Camille Claudel
ResponderExcluirgrande, gente! grande!
ResponderExcluireu quero mais!
clarice lispector, mariana botelho :)
ResponderExcluiruia!
lindona!
Costa-Gravas
ResponderExcluir:)
n.
eu sei que é consolo de muita gente crer
ResponderExcluirque sofrer melhora a gente mas
o sofrimento não melhora a gente em nada
e eu sei que é consolo de muita gente crer
que a dor quanto mais forte
por isso mesmo melhor e mais nobre
no seu efeito de fazer da gente
gente mais forte, melhor e mais nobre mas
o sofrimento não melhora a gente em nada
e eu sei que é consolo de muita gente crer
que termina mais resistente aquele
que sobrevive ao pesadelo
do sofrimento agudo intenso e duro
mas do meu lote todo até agora
eu só tirei esse poder pífio
de reconhecer nos olhos dos outros –
na caixa do banco, no peixeiro,
na professora do meu filho, no meu irmão –
a mesma marca líquida que eu sei
estar aqui dentro dos meus olhos,
a marca líquida da corda dos nervos que estica
e estica até que arrebenta
e aí só nos resta a todos nós pobres coitados
esse mesmo corpo típico,
frouxo,
e esses mesmos olhos típicos,
moles,
e essa mesma corda elétrica solta no ar,
balançando a mesma nota aguda e surda
para sempre.
eita, mê! comporte-se... rsrsrsrs
ResponderExcluirPaulo, que bom te ver por aqui. Esse seu poema me lembra um do Gullar:
ResponderExcluirA alegria
O sofrimento não tem
nenhum valor.
Não acende um halo
em volta de tua cabeça, não
ilumina trecho algum
de tua carne escura
(nem mesmo o que iluminaria
a lembrança ou a ilusão
de uma alegria).
Sofre tu, sofre
um cachorro ferido, um inseto
que o inseticida envenena.
Será maior a tua dor
que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta
sem ao menos poder morrer?
A justiça é moral, a injustiça
não. A dor
te iguala a ratos e baratas
que também de dentro dos esgotos
espiam o sol
e no seu corpo nojento
de entre fezes
querem estar contentes.
Ferreira Gullar
Lindo o poema do Gullar. Às vezes queria tempo para virar só jogando peteca poética assim! :)
ResponderExcluirSaravá!
ResponderExcluirNydia Bonetti.Mariana Botelho
ResponderExcluir;)