terça-feira, 22 de junho de 2010

FRAGMENTO
Anaïs Nin, Henry e June - Diários não-expurgados (1931-32); trad. Rosane Pinto

Ontem à noite eu chorei. Chorei porque o processo pelo qual me tornei mulher foi doloroso. Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque meus olhos estavam abertos para a realidade - para o egoísmo de Henry, para o amor de June pelo poder, para minha criatividade insaciável que deve preocupar-se com outras e não consegue ser suficiente a si mesma. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Ainda consigo amar apaixonadamente sem acreditar. Isso significa que amo humanamente. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi minha dor e ainda não estou acostumada à ausência dela.


roubado do blog da nina rizzi

4 comentários:

  1. Que lindo Nanoca!!!!

    Adorei ler isso!!!

    Um bjao.

    ResponderExcluir
  2. talvez,
    a diferença
    entre nós
    e as crianças
    seja mesmo
    essa
    : crença

    ResponderExcluir
  3. essa mulher sou eu, nana.

    e podes roubar. sempre. isso é algo de robin hood: precisa ser socializada a beleza (e não só os meios de produção)

    beijos todos :)

    ResponderExcluir
  4. Nin e Miller, para quem não sabe, é febre, não carne. E o diário mostra o quanto, por vezes, são tecidos abismos enquanto acreditamos regar campos de flores. Ótimo furto da Nina rsrs!

    Abraços!

    ResponderExcluir