Fique aqui mesmo, morra antes
de mim, mas não vá para o mundo.
Repito: não vá para o mundo,
que o mundo tem gente, meu filho.
Por mais calado que você
seja, será crucificado.
Por mais sozinho que você
seja, será crucificado.
Há uma mentira por aí
chamada infância, você tem?
Mesmo sem a ter, vai pagar
essa viagem que não fez.
Grande, muito grande é a força
desta noite que vem de longe.
Somos treva, a vida é apenas
puro lampejo do carvão.
No início, todos o perdoam,
esperando que você cresça,
esperando que você cresça
para nunca mais perdoá-lo.
(Alberto da Cunha Melo)

É um poema belo e triste. Não que todos os poemas precisem ser tristes para serem belos, nem que todos os poemas tristes sejam belos. Apesar disso, de ser um poema belo e triste, ele tem uma coisa que me incomoda negativamente: expressa um sentimento pessoalíssimo que não consegue extrapolar para o universal. Não sei se estou conseguindo me fazer entender. Especificamente em relação à mensagem do poema considero-a mesquinha: como pretender que o filho não vá para o mundo porque o mundo tem gente? Ainda que toda gente do mundo seja da pior espécie, com que direito se pretende negar ao próprio filho o direito de, se for o caso, sofrer na mão dessa gente que faz o mundo? Isso é negar ao filho o direito à vida. É justamente porque “a vida é simplesmente um lampejo de carvão” que deve ser vivida na sua plenitude. Ademais, quem vive plenamente a própria vida não precisa de perdão.
ResponderExcluirBeijos, amiga querida.
Fred,
ResponderExcluirpostei esse poema justamente porque no universo dos furacões que tenho passado, ele diz muita coisa. também acho mesquinho, também acho que isso é negar o direito à vida. ele não extrapola para o universal, mas penetra absurdamente no que querem fazer alguns nesse mundo pequeno que é a família.
esqueci de deixar um beijo pra tu:
ResponderExcluirum beijo pra tu!
"...mas penetra absurdamente no que querem fazer alguns nesse mundo pequeno que é a família."
ResponderExcluirÉ verdade. Penetra. Concordamos então. E como sou de reconhecer também os méritos, reconheço que causa a inquietação sem a qual não o estaríamos discutindo.
Outro beijo, Mariana.
coisa mais bonita é isso - e triste - que a tristeza pode ser bela...
ResponderExcluirbesos sinhazinha
Existem várias, né?
ResponderExcluirUm chêro!
tens a bênção, a aceitação
ResponderExcluir[fazer o quê?]
mas nunca o perdão
--------------------------------
Me perdoa? =)
=*
tanto tempo que não passava por aqui.
ResponderExcluirque bom que voltou :)
estava com saudade do encanto de suas palavras.
bj menina.
Fred e Mariana,
ResponderExcluirsou apaixonada pela poesia de Alberto. Não estou discordando com vcs, pois poesia é a mistura das pistas do poeta com a leiturade quem lê.
Mas, não considero o poema mesquinho, sinto a angústia do poeta na dor de querer proteger e não puder.
beijo
Lembram daquela música de Chico Buarque? Curuminha? Eu não lembro direito, faz tempo q não ouço, mas a mãe diz que se soubesse que era tão difícil não teria deixado ela sair de sua barriga.
Nesse poema, vejo assim: Alberto grávido
Aprovado !
ResponderExcluirestas palavras tocam pela sutileza como são colocadas no poema mas tambem pela forma como nos conduz a uma reflexão solitaria porem veridica, principalmente na ultima estrofe.
ResponderExcluirChega a doer só de pensar em ter que pensar sobre isso. Às vezes o mundo dá medo, as pessoas dão medo, a vida dá medo. Mas é preciso seguir e fazer com que os passos deles sejam firmes e o coração também. Mas dói. E desespera.
ResponderExcluirFortíssimo, poema, Mariana. Tá ricocheteando aqui dentro.
Beijoca