Nem todas as mães
são santas,
nem todas as santas
são mães;
mas, de quedas, prantos
e sóis soluçantes
as colinas de mães sozinhas
fervilham neste instante.
Ó vós, que ainda tendes
dentro da noite o choro fino,
a febre e os miúdos braços
afirmando no escuro
vosso sangue e a aurora
que vos sucederão,
ainda é tempo de agarrar-vos
ao pequeno e vivo troféu
e, contra as raivosas manhãs,
esquentar o leite,
vestir os filhos
e não perder a esperança.
(Alberto da Cunha Melo)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Tive medo. Sabe? Tudo foi isso: tive medo! Enxerguei os confins do rio, do outro lado. Longe, longe, com que prazo se ir até lá? Medo e vergonha. [...] Não pensei em nada. Eu tinha o medo imediato. (p 121)
"Carece de ter coragem..." – ele me disse. Visse que vinham minhas lágrimas? Doí de responder – "Eu não sei nadar..." O menino sorriu bonito. Afiançou: – “Eu também não sei.” Sereno, sereno. Eu vi o rio. Via os olhos dele, produziam uma luz. – Que é que a gente sente, quando se tem medo?” – ele indagou, mas não estava remoqueando; não pude ter raiva. “Você nunca teve medo?” – foi o que me veio, de dizer . Ele respondeu: – “costumo não...” (p 122)
"Carece de ter coragem. Carece de ter muita coragem..." (p 124/125)
(Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas)
"Carece de ter coragem..." – ele me disse. Visse que vinham minhas lágrimas? Doí de responder – "Eu não sei nadar..." O menino sorriu bonito. Afiançou: – “Eu também não sei.” Sereno, sereno. Eu vi o rio. Via os olhos dele, produziam uma luz. – Que é que a gente sente, quando se tem medo?” – ele indagou, mas não estava remoqueando; não pude ter raiva. “Você nunca teve medo?” – foi o que me veio, de dizer . Ele respondeu: – “costumo não...” (p 122)
"Carece de ter coragem. Carece de ter muita coragem..." (p 124/125)
(Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas)
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