Deus dos delicados, não me abandone nessa guerra insana. Minha máquina de ser beira a pane enquanto o veludo da voz de Billie lambe as paredes do lusco-fusco. Abençoe, senhor, tudo que dói em nós, indispensável. As tardes despenteadas em Grumari, as lágrimas do homem que me amou e nunca disse, o negro agonizante sob o sol narcísico de Ipanema, as crianças que tão cedo me deixaram farta de lágrimas e leite, o eco esquivo de Frederico, sinais de musgo. Abençoe as escarpas da minha vida enquanto desenterro estas palavras — o carmim destas palavras — com as lascas afiadas da dor. Sonho piscinas, atraída pelas labaredas. Preciso dormir bem dentro das suas asas enormes, pai.
(Ledusha B. A. Spinardi)
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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11 comentários:
Linda prece...
AMÉM!
sim. do tipo: mulher à beira de um ataque de nervos. rs
muito bom vir aqui... tenho dado umas boas passadas no suave coisa há um tempo. seu blog é daqueles que fazem a gente ficar na expectativa.
ah, passa lá no meu blog, se quiser. tenho 16 anos e estou começando com os versos...
até!
só uma coisa: entra no "parapeito". o outro blog não ta pronto...
hehe
nossa, que texto refinado, uma prece poética...meio tristonho, sim.gostei,viu?
Ei amiga, saudade!
Bjos
Piedade...
Lembro de Ledusha lá do final dos anos oitenta.
E de um livo chamado Finesse e Fissura.
Texto admirável em inventividade e desnudamento.
Beleza ura, como diia Caetano...
Beijão.
Ricardo Mainieri
Uma prece de quem sofre com o que o rodeia...
Gostei imenso.
Beijos.
lembrou-me um poema do Bandeira, se não me engano é "minha grande ternura" o nome...
sempre bom voltar por aqui.
os olhos...
teus olhos veem o meu lindo
bem vieram agricultores
semear os meus
grata fruta que acordas
adubos
versos incisivos
que leve que nada?
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