Quem fez o amor não vazará meus olhos porque busco a alegria. (Adélia Prado)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
pedir um tempo.
perder
um
a outro
templo
de algum anseio.
amor dedicado
volúpia
carinho
nos rodeiam e nunca ficam cheios.
(Ricardo Lima)
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O que nos salta do dia
Temos de ser ferozes.
O mundo é nosso rosto.
O que nos salta
do dia.
A morte distraída.
Ardemos ao tocar
cada objeto.
Temos de ser ferozes.
Ir sobrevivendo
pele a pele.
Tudo nos supõe
em resistência,
amando.
(Carlos Nejar)
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
ela repete
o hortelã na boca
repete o nome da distância -
repete o nome do abismo -
repete o rito de amar os filhos
no corpo feito para abrigar temporais
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
A CASA
É um chalé com alpendre,
forrado de hera.
Na sala,
tem uma gravura de Natal com neve.
Mas afirmo que tem janelas,
claridade de lâmpada atravessando o vidro,
um noivo que ronda a casa
- esta que parece sombria –
e uma noiva lá dentro que sou eu.
É uma casa de esquina, indestrutível.
Moro nela quando lembro,
quando quero acendo o fogo,
as torneiras jorram,
eu fico esperando o noivo, na minha casa aquecida.
Não fica em bairro esta casa
infensa à demolição.
Fica num modo tristonho de certos entardeceres,
quando o que um corpo deseja é outro corpo pra escavar.
Uma idéia de exílio e túnel.
(Adélia Prado)
forrado de hera.
Na sala,
tem uma gravura de Natal com neve.
Mas afirmo que tem janelas,
claridade de lâmpada atravessando o vidro,
um noivo que ronda a casa
- esta que parece sombria –
e uma noiva lá dentro que sou eu.
É uma casa de esquina, indestrutível.
Moro nela quando lembro,
quando quero acendo o fogo,
as torneiras jorram,
eu fico esperando o noivo, na minha casa aquecida.
Não fica em bairro esta casa
infensa à demolição.
Fica num modo tristonho de certos entardeceres,
quando o que um corpo deseja é outro corpo pra escavar.
Uma idéia de exílio e túnel.
(Adélia Prado)
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
FOZ
não te distancies
meu guerreiro.
Longo é o percurso
que conduz à foz.
O vento furioso
sacode os velhos ramos.
E a cada sopro gélido
tremem as folhagens.
Às vezes, receio no silêncio
que venha o lobisomem
e mutile as incertezas.
Mas atenua-se o temor
na espera...
que me é bem mais familiar.
(Eugenio Montale)
meu guerreiro.
Longo é o percurso
que conduz à foz.
O vento furioso
sacode os velhos ramos.
E a cada sopro gélido
tremem as folhagens.
Às vezes, receio no silêncio
que venha o lobisomem
e mutile as incertezas.
Mas atenua-se o temor
na espera...
que me é bem mais familiar.
(Eugenio Montale)
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
SEMPRE
fui sempre
de percorrer na carne
o puído dos vãos
sempre de pôr o pé
na intimidade
das veias
sempre de lavrar
os dias mais
ferozes
para que doendo
amansem a morte
(Vera Lúcia de Oliveira)
de percorrer na carne
o puído dos vãos
sempre de pôr o pé
na intimidade
das veias
sempre de lavrar
os dias mais
ferozes
para que doendo
amansem a morte
(Vera Lúcia de Oliveira)
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